Crédito para compra de carros volta ao patamar de 2007

15/10/2009 12:23

 

Bancos financiam em 80 meses e esperam queda da inadimplência.
Presidente da Acrefi aposta na alta da procura por crédito em 2010.

 

Facilidades voltam e procura por crédito aumenta no mercado de carros 

Placas com ofertas de planos de financiamento com pagamento em 80 meses e taxas de juros menores voltaram a decorar as concessionárias e revendedoras do país. O “novo visual” das lojas não mudou por causa de excesso de carros em estoque, mas sim porque o crédito disponível para financiamentos de veículos voltou ao patamar visto em 2007, quando as vendas no mercado automotivo dispararam graças às facilidades de compra tanto de veículos zero quilômetro quanto de usado.

 O que é observado hoje nas concessionárias é confirmado pelo presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Adalberto Savioli. Segundo ele, a volta do crédito disponibilizado pelas empresas financeiras vem acompanhada da redução do nível de inadimplência e da retomada da procura por financiamentos por pessoa física.

 “A inadimplência de forma geral já deu pequeno recuo para 8%, comparado com 2008 e 2007 esse número era menor, de 7%. Se a gente pegar apenas a operação de veículos, a inadimplência está 60% mais alta do que no ano passado”, afirma Savioli. No entanto, as perspectivas são positivas para 2010. “Neste ano, colhemos fruto da crise ainda. Mas o nível de emprego começa a subir e, consequentemente, a inadimplência diminuirá. No ano que vem teremos uma situação melhor”, avalia.

 Apesar da retomada da demanda e da redução das dívidas, os bancos estão mais criteriosos na concessão do crédito. É esse “pente-fino” no cadastro que tem dificultado a recuperação do setor de motocicletas. “Quem compra moto de baixa cilindrada é quem mais foi afetado com o desemprego. Como em agosto as contratações voltaram a ser anunciadas, a gente acredita que à medida que o país retomar os empregos, a aprovação dos financiamentos aumentará”, observa o presidente da Acrefi.

 O reflexo do momento econômico também retraiu a demanda de financiamentos para a compra de caminhões, mas conforme a economia retomar o ritmo de antes da crise, a situação irá melhorar, segundo Savioli.

 Assim, as projeções para 2010 são positivas. Segundo Adalberto Savioli, o volume total de crédito disponível no país deverá superar entre 12% e 15% o registrado em 2009, de R$ 1,33 trilhão. Se confirmado, o volume de crédito disponível passará de 45% sobre o Produto Interno Bruto (PIB), para mais de 50%. As linhas que mais geraram crédito foram as de pessoa física, de R$ 450 bilhões neste ano.

 Entre as principais carteiras estão a de veículos. “O mercado brasileiro de veículos tem grande potencial de crescimento e apostamos nisso. O Brasil possui apenas um veículo para 7,4 habitantes, o que é incipiente se comparado a países como Estados Unidos (um veículo para cada 1,2 habitantes), México e Argentina (ambos com um veículo para cada 4,8 habitantes)”, ressalta o representante das financeiras.

 Bancos das montadoras


De acordo com dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), em agosto o crescimento do volume de crédito para a compra de veículo foi de 12% em comparação com o mesmo mês do ano passado, que ainda não havia sido atingido pela crise — o impacto da crise mundial só começou a ser sentido no setor em outubro de 2008.

 Os números divulgados da Anef consideram as carteiras de CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e leasing para pessoa física, que somam R$ 151 bilhões.Segundo o balanço, o crescimento é puxado pelo leasing, que atingiu R$ 65,7 bilhões. Nesse caso, a expansão foi de 28,2% sobre agosto de 2008. Já o CDC cresceu 2,1%, para R$ 85,3 bilhões.

 Em relação aos juros praticados, o levantamento mostra estabilidade em relação ao observado em julho, em 1,49% ao mês e 19,42% ao ano, repetindo os números de julho. Porém, em nível inferior ao praticado em agosto do ano passado, quando eram 1,78% ao mês e 23,58% ao ano. A baixa dos juros foi acompanhada do aumento do prazo de financiamento oferecido pelas financeiras, que passaram de 72 meses para 80 meses em agosto deste ano.

 O quadro positivo para o mercado de veículos é reforçado pela queda da inadimplência acima de 90 dias para financiamentos em CDC, de 5,3% da carteira em julho para 5,1% em agosto.

 

http://g1.globo.com/Noticias/Carros/

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